Terra da Misericórdia, em Arcoverde, une fé e assistência social

Criado há 12 anos, espaço mantido pelo padre Adilson Simões é local de peregrinação com santuário dedicado à Divina Misericórdia



Mistério. A palavra, comum em orações e ritos católicos para expressar os milagres e vontades divinas, também é usada pelo padre Adilson Carlos Simões para descrever o pedaço de caatinga que, em 12 anos, se transformou num local de peregrinação. Estendendo-se por um terreno de oito hectares na região da Serra das Varas, em Arcoverde, a Terra da Misericórdia abrange o santuário, jardim, trilha, capela, memorial e uma comunidade hoje formada por nove casas. Um espaço de contemplação e reza bem na entrada do Sertão pernambucano, à esquerda do quilômetro 244 da BR-232 no sentido de quem vem do Agreste e do Litoral urbanizado e deseja adentrar o Brasil profundo.

“Vem gente de todos os lugares, de muito longe, apenas para aconselhamento. É pela oração que Deus ouve os ‘ais’ dos seus servos e, em havendo fé, os milagres acontecem. Aqui é um lugar de prodígios”, afirma o fundador da Obra da Divina Misericórdia, que, além de promover e ordenar as celebrações religiosas no local, administra uma organização sem fins lucrativos, o Centro de Educação e Desenvolvimento Comunitário (Cedec), voltada para ações de cunho social. “Temos hortas comunitárias. Trabalhamos juntos e partilhamos a terra. Além disso, construção de casas para pessoas que não estão incluídas em programa do governo. O Minha Casa, Minha Vida é um belo programa, mas contempla quem tem 1,5 salário mínimo. Trabalhamos com os que não têm salário”, conta.


Mistério. A palavra, comum em orações e ritos católicos para expressar os milagres e vontades divinas, também é usada pelo padre Adilson Carlos Simões para descrever o pedaço de caatinga que, em 12 anos, se transformou num local de peregrinação. Estendendo-se por um terreno de oito hectares na região da Serra das Varas, em Arcoverde, a Terra da Misericórdia abrange o santuário, jardim, trilha, capela, memorial e uma comunidade hoje formada por nove casas. Um espaço de contemplação e reza bem na entrada do Sertão pernambucano, à esquerda do quilômetro 244 da BR-232 no sentido de quem vem do Agreste e do Litoral urbanizado e deseja adentrar o Brasil profundo.

“Vem gente de todos os lugares, de muito longe, apenas para aconselhamento. É pela oração que Deus ouve os ‘ais’ dos seus servos e, em havendo fé, os milagres acontecem. Aqui é um lugar de prodígios”, afirma o fundador da Obra da Divina Misericórdia, que, além de promover e ordenar as celebrações religiosas no local, administra uma organização sem fins lucrativos, o Centro de Educação e Desenvolvimento Comunitário (Cedec), voltada para ações de cunho social. “Temos hortas comunitárias. Trabalhamos juntos e partilhamos a terra. Além disso, construção de casas para pessoas que não estão incluídas em programa do governo. O Minha Casa, Minha Vida é um belo programa, mas contempla quem tem 1,5 salário mínimo. Trabalhamos com os que não têm salário”, conta.



História de fé No princípio, era apenas uma capela e um galpão velho no meio da caatinga. Foi em maio de 2000 que o padre Adilson, à época pároco de Arcoverde, teve a inspiração de construir na localidade um santuário dedicado à Misericórdia de Deus. “Eu vinha celebrar uma vez por mês na capelinha. No dia 13 de maio, quando termino a sagrada comunhão, eu costumo me recolher por alguns instantes. E eu ouvi alguém que me determinava: ‘Quero que se construa aqui um santuário dedicado à minha misericórdia’. Levei um susto. Levantei os olhos, só vi a igreja e as pessoas. Fui até o altar para concluir a missa e a pessoa repetiu as mesmas palavras. No outro dia de manhã, fui a Pesqueira falar com o bispo”, lembra.

O objetivo da conversa era pedir permissão para erguer o templo, mas a autorização só veio em janeiro de 2007. “Contei-lhe (ao bispo), perguntei se acreditava, ele disse que sim, e eu pedi licença para deixar a paróquia e vir morar aqui. Não deixou. Eu insistia e ele ficou bravo: ‘Eu seria irresponsável como bispo se permitisse. Não tem as mínimas condições’. Nesses sete anos, eu apenas visitava e orava pedindo um sinal. Muitas pessoas me aconselhavam a não vir. Em 2007, o novo bispo permitiu vir e eu cheguei de táxi com uma marmita para começar tudo do zero”, recorda o sacerdote.

Aos poucos, com a ajuda de moradores, ergueu o espaço eucarístico, começando pelo quarto onde mora até hoje e, em frente, o Santuário da Divina Misericórdia, que levou mais sete anos para concluir. Esculpido de rocha talhada, mesmo material utilizado no ambão, o altar mostra imagens de Jesus Misericordioso e Santa Faustina, fundadora da Obra da Divina Misericórdia em Cracóvia, na Polônia. O espaço ecumênico é rodeado de um jardim e uma trilha dividida em 15 estações, locais de parada com placas que recontam a morte e a ressurreição de Jesus Cristo. Ao fim do caminho, que contém três fontes de água benta, fica um espaço com teatro ao ar livre, onde é feita a encenação de Natal.

Tudo isso, segundo o padre, foi erguido com a colaboração de várias pessoas, ricas e pobres. “Os que podem dar mais, dão. Temos grandes empresários que são filhos da Obra e temos garis que contribuem com R$ 2, mas são filhos e amados da mesma forma”, diz. Desde que abriu o espaço, o religioso registra em um caderno milagres e graças que soube terem ocorrido por lá. “Três meses atrás, uma mulher de Gravatá, cega, chegou num grupo de romeiros, foi à fonte, banhou-se e foi curada. Essa fonte eu encontrei abrindo o caminho no mato”, diz.

Com essa atmosfera mística, centenas de romeiros circulam pelo terreno toda semana em busca de evolução espiritual. Entre eles, a dona de casa Cícera Lúcia Rodrigues, de 67 anos, se disse encantada com o que via. Ela mora em Brasília e veio com a filha Paloma, 27, que tem Síndrome de Down e escreveu uma mensagem sobre o espaço. “Para mim, a Terra da Misericórdia é um lugar bom, cheio de paz e silencioso”, leu no papel que tinha escrito. A mãe, que soube do local por uma amiga e chegou em outubro, ainda não tem data para voltar. “Não sei se em janeiro ou fevereiro. Sei que em março eu tenho que estar em Brasília. Aqui a gente encontra paz porque na balbúrdia do dia a dia é complicado”, diz.

Para receber toda essa quantidade de gente, está sendo construído um rincão, um amplo espaço com arquibancada e capacidade para onze mil fiéis. Ao lado, há um memorial que conta a história da Obra e reúne os ex-votos, objetos trazidos por peregrinos para o pagamento de promessas. Para quem mora, a tranquilidade é uma recompensa. “Fui a primeira moradora, cheguei há 12 anos. Não tinha nada. Agora está bem diferente. Está caindo fogo do céu de tanta benção”, ressalta dona Julieta Celina dos Santos, 90, que nasceu em Pernambuco, mas veio de Hortolância, São Paulo, onde viveu com a família por muitos anos.

Obra social Para além da função religiosa, a Obra da Divina Misericórdia gerencia o Centro de Educação e Desenvolvimento Comunitário (Cedec), responsável pelas ações sociais direcionadas às famílias que vivem na Serra das Varas e nas localidades vizinhas. A organização mantém, ao longo do ano, projetos de assistência agrícola e alimentar, incluindo hortas comunitárias com orientação técnica e distribuição de sementes e maquinário. “A gente trabalha com linha de produção rural em sete comunidades e busca apoiar esses agricultores com a horticultura, que é o forte da região mesmo com a estiagem e fornece alimentos para as feiras em Arcoverde”, explica o coordenador de Projetos Sociais do Cedec, Erivan Gomes Pereira.

Outros pontos importantes do trabalho social da Obra são o projeto de construção de moradias e a Casa do Mel, voltada para o incentivo da apicultura. Também é mantido um programa de assistência alimentar em parceria com o Banco de Alimentos do Sesc, que fornece cestas básicas todo mês para a população mais necessitada. Para receber o benefício, estão cadastradas 684 famílias, número que varia de acordo com as demandas de cada mês. “Nós acompanhamos a situação de cada uma e damos assistência para que elas recebam uma renda extra e tenham condições melhores de vida”, diz Erivan Gomes.

A ajuda faz diferença para Degivalda Rodrigues da Silva, 52, que mora numa roça com cinco filhos, todos rapazes de 11 a 21 anos. Sofrendo de uma doença cardíaca, ela se sustenta com os R$ 200 do Bolsa Família e alguma renda que consegue quando outros proprietários rurais contratam alguém da família para fazer algum serviço doméstico ou de capinação. “Este ano eu não plantei porque adoeci. O pai dos meninos mora em São Paulo plantando laranja e às vezes manda R$ 100, R$ 150. Mal dá para pagar o material de escola deles. Chega a faltar comida, não vou mentir porque é pecado. [A cesta básica] é o que salva a gente. É difícil, mas com fé em Deus vence tudo”, comenta.


Por: FolhaPE.com.br