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Procura por máscaras no Grande Recife aumenta e zera estoques de algumas farmácias


Ainda que o Brasil não tenha casos confirmados do coronavírus, a intensa procura por equipamentos de proteção, como máscaras e álcool em gel, além de vitaminas já começam a esgotar os estoques das farmácias do Grande Recife. Em algumas redes, as caixas de máscaras sumiram das prateleiras, como é o caso das farmácias Drogasil e Guararapes. Em outras, a busca aumentou por vitamina C com zinco, embora o Ministério da Saúde já tenha desmentido que o suplemento não é capaz de evitar a contaminação pelo coronavírus. No Sudeste, sobretudo em São Paulo, onde há o maior número de casos suspeitos, a corrida por máscaras descartáveis também zerou os estoques das farmácias. 

A reportagem do Diario de Pernambuco entrou em contato e visitou algumas redes. Nas unidades da Drogasil no Recife, por exemplo, já não há mais máscaras descartáveis nem nas prateleiras nem nos estoques. O mesmo aconteceu com o álcool em gel e a vitamina C com zinco. Os produtos devem ser repostos até a próxima semana. Em algumas unidades das farmácias Guararapes, também não é mais possível comprar caixas com máscaras descartáveis. Tubos grandes de álcool em gel estão em falta e o estoque de vitamina C com zinco precisou ser reposto para dar conta da grande procura. 

Já nas redes Independente e Bongi, a busca tem sido maior pela vitamina C com zinco, embora o fluxo de venda das máscaras descartáveis esteja maior que o habitual. Em todas as unidades apuradas, só houve registro de aumento de preço dos suplementos, que subiu de R$ 10 para R$ 15, enquanto o preço da caixa  máscaras com 50 unidades tem se mantido por volta dos R$ 15. “Vejo que as pessoas estão com medo de que o coronavírus venha para o Brasil e elas não tenham os equipamentos necessários para se proteger”, disse uma vendedora da Drogasil, que preferiu não se identificar. Em São Paulo, apenas um quinto das farmácias ainda têm estoque de máscaras descartáveis. 

Na tarde desta sexta-feira (31), o Ministério da Saúde atualizou o boletim sobre o coronavírus no Brasil. Segundo o documento, aumento de 9 para 12 o número de casos suspeitos no país. O caso da paciente de 22 anos, recém-chegada da cidade de Wuhan, na China, para Minas Gerais, foi descartado pois os três resultados dos exames feitos deram negativo para o coronavírus. Até a tarde desta sexta (31), o coronavírus 2019-nCoV já havia provocado 213 mortes, todas na China e quase 10 mil infecções em todo o mundo.  

Na Avenida Paulista, uma das principais áreas de circulação de pessoas na cidade de São Paulo, nenhuma das farmácias tinha máscaras. "A venda está bem rápida. Todos os dias a gente repõe e quando chega a noite sempre zera", diz Lívia Viana dos Santos, atendente de uma Drogasil do centro da cidade. São Paulo registra o maior número de notificações, com cinco casos suspeitos até agora. Nas farmácias que fazem parte da rede da Drogaria São Paulo, no estado de São Paulo, as vendas de máscaras entre domingo (26) e quarta (29) aumentaram 26%, segundo a assessoria da rede. Segundo a rede, a busca também aumentou em Minas Gerais. No estado, no mesmo período de tempo, nas Drogarias Pacheco e Drogaria São Paulo a venda do produto cresceu 139%. Segundo funcionários de drogarias, a maior parte da procura parte de pessoas de origem asiática. 

Segundo os infectologistas, porém, não há motivos para o uso de máscaras no Brasil, pelo menos por enquanto. Leonardo Weissmann, médico infectologista e consultor da SBI (Sociedade Brasileira de Infectologia), afirma que, no momento, somente pessoas que se enquadrem em caso de suspeita de coronavírus devem usar máscaras cirúrgicas até serem colocadas em isolamento. Tal procedimento é o indicado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e está sendo adotado pelos hospitais de São Paulo quando aparecem casos de suspeitas.

Para prevenção da disseminação do coronavírus, a OMS também recomenda higiene das mãos e cobrir a boca ao tossir e/ou espirrar (e, em seguida, lavar as mãos). As máscaras descartáveis só devem virar um item útil para o brasileiro caso o país passe a registrar transmissão ativa do coronavírus, ou seja, o aparecimento de pessoas infectadas que não tiveram contato com outros casos de suspeita ou contaminação. Já em casos de possíveis exposições mais prolongadas ao vírus, como no contato com pacientes em isolamento ou parentes infectados, as máscaras do tipo N95 são as mais indicadas. 

Cuidados básicos são recomendados para que a proteção com a máscara descartável seja mais efetiva. Como o próprio nome indica, o produto deve ser descartado logo após o seu uso. Ela também deve ser jogada fora imediatamente caso fique molhada, suja ou entre em contato com secreções, de acordo com a OMS. As mesmas regras de descarte são válidas para máscaras do tipo N95. Nessas, também é importante checar se o objeto está sendo usado de modo adequado. 

Saiba a diferença entre as máscaras

Máscaras cirúrgicas - muito comum em hospitais e farmácias, são importantes para proteção de pequenas gotas de saliva, não sendo recomendada para profissionais e parentes de pessoas infectadas, que tenham exposição mais prolongada ao coronavírus

Máscaras PFF1, PFF2 e PFF3 - têm um respirador maior e evitam grandes partículas de contaminação. A PFF1 é mais usada para evitar contaminação vindo de poeira; a PFF2 (ou N95) é mais usada por médicos para evitar partículas vindas de pacientes infectados, como, por exemplo, tuberculose e coronavírus. Já a PFF3 é mais usada para profissionais da mineração

Para colocar corretamente uma máscara N95 você deve:

1 - Encaixar a máscara no queixo, com a parte do objeto que se adapta ao nariz para cima

2 - Puxar a alça superior da máscara até acomodá-la na cabeça; fazer o mesmo a alça inferior, acomodando-a abaixo da orelha

3 - Com dois dedos de cada mão, moldar o formato do nariz na máscara

4 - Coloque as mãos sobre a máscara para testar se o produto está devidamente selado

4.1 - Espire fortemente; se houver você sentir a pressão na máscara, significa que ela está adequadamente selada 

4.2 - Inspire profundamente; se houver selagem adequada, a máscara irá murchar Pelo faciais podem impedir o vedamento adequado da máscara N95. Já a máscara cirúrgica descartável não é feita para vedar completamente as vias respiratórias.

Fontes: FolhaPress e Estado de Minas.