Porto de Suape, em Pernambuco, era usado por organização para enviar droga da Bolívia para Europa


O Porto de Suape, localizado no Cabo de Santo Agostinho, Grande Recife, era um dos utilizados por uma organização criminosa especializada em armazenamento de cocaína trazida da Bolívia e levada até a Europa, segundo a Polícia Federal. O grupo foi alvo, nesta segunda-feira (9), de operações em seis estados do Brasil, incluindo Pernambuco, onde foram cumpridos cinco mandados de busca e apreensão nas cidades do Recife (bairros da Torre e de Boa Viagem), em Jaboatão dos Guararapes (bairro de Piedade), ambas no Grande Recife, em Bonito, no Agreste, e em Petrolina, no Sertão.


Além de Suape, a droga também era escoada através do Porto de Belém, no Pará. "Essa organização trazia essa cocaína da Bolívia, armazenava-a no nosso País, e depois a ocultava em cargas de frutas, através de conteiners, para escoar toda essa droga para a Europa, principalmente para a Bélgica", explica o chefe de Comunicação da PF em Pernambuco, Giovani Santoro.

"A especialidade deles é fazer a logística do tráfico de drogas. Essa droga não é produzida no território nacional, ela vem da Bolívia, Colombia, Peru, e ingressa no País. Depois, de alguma maneira ela tem que ser mandada para a Europa. Então, eles usam grupos especializados em fazer essa exportação", relata o delegado Wagner Furtado Menezes.

A ação acontece também no Rio Grande do Norte, nos municípios de Natal e em Parnamirim; em São Paulo, nas cidades de Sumaré e de São Paulo; no Mato Grosso do Sul, em Cuiabá; no Ceará, em Juazeiro do Norte, Barbalha e Fortaleza e no Piauí, em Teresina. Em todo o Brasil, foram mobilizados 80 policiais federais com o objetivo de cumprir quatro mandados de prisão preventiva e 18 mandados de busca e apreensão.



A investigação contra o grupo teve início em 21 de junho de 2019, quando a Receita Federal do Brasil (RFB) apreendeu 808 kg de cocaína, camuflada em carga de bananas que seria exportada para Bélgica, no Porto de Suape, na Região Metropolitana do Recife, por uma empresa de ramo não especificado, mas que não era de alimentos. A corporação, então, iniciou a investigação criminal, tendo apoio da RFB na troca de informações sobre os criminosos.

"No país inteiro, a Receita Federal está alerta. A gente vê muitas apreensões, tanto no Porto de Santos, como Itajaí. Aqui [em Pernambuco], o caso despertou um alerta e ficou todo mundo prestando atenção. Além do scaner, utiliza-se muito a inteligência fiscal para conferir os dados. Essa empresa mesmo, das bananas, não era do ramo de exportação de frutas", afirmou o superintendente da Receita Federal José Honorato de Souza.

Até o momento, a PF acredita que o grupo criminoso é formado por integrantes espalhados por Estados do Nordeste, mas com atuação também no Norte do país. As lideranças da organização têm raízes no roubo e furto de cargas e, por isso, já foram alvos da Operação Piratas do Sertão, deflagrada pela Polícia Federal em 2010 nos Estados de Rio Grande do Norte e Paraíba. Além disso, foram detectados ligações criminosas desse grupo com lavadores de dinheiro na Região Sudeste e Centro-Oeste.

O grupo teria origem no roubo de cargas. "Eles já foram investigados há, mais ou menos, 10 anos, em Operação denominada Piratas do Sertão, uma família bastante envolvida nesses crimes. Já foram alvos, presos, mas não deixaram de atuar no grupo criminoso. Essa família tem raízes no interior do Rio Grande do Norte", afirmou o delegado Wagner.

Ainda de acordo com ele, foi identificado um esquema de lavagem de dinheiro para financiar o alto custo de exportação, através de empresas de São Paulo.

Os líderes da quadrilha já foram presos. "Os líderes são da região do Nordeste, em São Paulo e Mato Grosso. Os líderes têm um núcleo criminoso e bastante penetração na Região do Cariri (no Ceará)", disse Wagner, que completou "o líder do grupo já foi preso em flagrante no dia 26 de outubro, por uso de documento falso, e teve mandado de prisão preventiva cumprido, pela comarca de Bezerros, por homicídio duplamente qualificado.

Ao todo, 15 pessoas já foram indiciadas pelos crimes de tráfico e financiamento ao tráfico de drogas, de organização criminosa e de lavagem de dinheiro. As penas podem variar de três a 20 anos de reclusão, mas, podem chegar ao limite máximo de 30 anos de cumprimento da pena.

Em resposta à reportagem, o Porto de Suape reforçou que "a segurança portuária é acompanhada e fiscalizada de perto pela Comissão Estadual de Segurança Portuária (CESPORTOS), cuja coordenação é da Polícia Federal. E a administração do Porto de Suape se mantém disponível para colaborar com toda e qualquer investigação dos órgãos de controle, dentro de sua competência. Vale salientar que todas as operações via contêineres são realizadas por terminais privados, extrapolando a esfera administrativa do porto."