Pernambucanos se unem para produzir protetores faciais em impressão 3D contra Covid-19

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Um grupo formado por empresas, coletivos e pessoas físicas, que possuem impressoras 3D e/ou cortadoras a laser, estão formando uma rede em Pernambuco para produzir equipamentos de proteção individual. O material será doado gratuitamente a instituições de saúde e profissionais que, no exercício de suas atividades, podem eventualmente ter contato com pacientes da Covid-19, como garis e policiais. Inicialmente, a ideia é produzir protetores faciais com lâminas de acetato, que têm se mostrado mais eficientes na proteção contra o novo coronavírus, intensificando a necessidade. Para conseguir produzir em grande escala, o grupo fez duas campanhas virtuais: uma para reunir o maior número de voluntários (pessoas e empresas que tenham impressora 3D e cortadora a laser) e outra para arrecadar dinheiro ou doação de matéria-prima para fabricação dos protetores faciais. 

“Estamos pensando em tecnologia de forma colaborativa. Todomundo que está participando, tem colocado a mão na massa, usando sua própria tecnologia, seu dinheiro, seu equipamento e sua expertise. E toda a produção será doada, de forma gratuita”, reforça o gerente de inovação no Porto Digital, Caio Scheidegger. A ideia inicial é produzir, pelo menos, mil protetores faciais, porque esse equipamento é reutilizável, após o uso, desde que fazendo a devida esterilização. “O design que estamos utilizando para fazer a impressão é da Prusa e foi validado pela Organização Mundial de Saúde (OMS). Esse modelo está sendo mundialmente adotado e pode ser baixado gratuitamente, é open-source”, contou Scheidegger.


Em Pernambuco, doze grupos de diferentes perfis já se uniram a essa causa, como o IP.Rec, Lab Griô, Porto Digital, Casa Criatura e Coletivo 3D. Mas este número pode crescer. Quem tiver impressora 3D ou cortadora a laser pode se inscrever no https://bit.ly/cadaimpressaocontaPE . “A maioria das pessoas está colocando suas máquinas e mão de obra como doação. Quanto mais parceiros encontrarmos, menos sobrecarregados ficaremos. Gostaríamos de chegar em mil protetores faciais em 15 dias, que foi o número que uma rede similar na Bahia conseguiu produzir. Mas vai depender desse esforço de articulação e negociação”, pontuou Caio. 

Outro grande desafio dos makers é mapear a demanda, ou seja, descobrir quais lugares que estão precisando dos protetores faciais. Para isso, os envolvidos têm solicitado que os interessados também se cadastrem no https://bit.ly/cadaimpressaocontaPE . “É interessante realizar esse cadastro para conseguirmos direcionar as demandas, termos a visão real de quais locais precisam de protetores faciais”, explicou o líder da E-Nable no Brasil, Everton Lins. A E-Nable é uma rede internacional sem fins lucrativos, que existe desde 2014 e atua em 55 países, articulando demanda e doação através da tecnologia em saúde. 


No Brasil, por exemplo, mais de oito mil próteses de membros superiores foram produzidas pelos parceiros da rede e doados a crianças que foram amputadas. “Fizemos uma mudança de foco da atividade enquanto tiver acontecendo a pandemia do novo coronavírus”, justificou Everton. Essa articulação e produção está sendo feita nível nacional porque, com o avanço da Covid-19, mesmo os países desenvolvidos não conseguem dar conta da quantidade de EPI demandado e nem possuem logística para suprir a necessidade. 


De acordo com Everton, divulgar a iniciativa também é fundamental. Até agora, poucas entidades em Pernambuco, dos municípios do Recife, Olinda, Paulista e Caruaru se cadastraram para recebimento dos protetores faciais. “Sabemos que há muitas cidades do interior que têm carência de EPIs. Queremos que pessoas e empresas com impressora 3D no interior do estado se cadastrem e ajudem a mapear as instituições do interior de serviços essenciais que possuem essa demanda”, colocou o líder da E-Nable no Brasil. Podem se cadastrar para receber os protetores faciais instituições como Corpo de Bombeiros, Batalhões da Polícia Militar, empresas de limpeza pública, inclusive hospitais da rede privada. “Todas as pessoas jurídicas que precisam do EPI podem se cadastrar. E o parceiro é que escolhe para quem vai doar o material produzido. 

Mesmo quem não tem impressora 3D ou cortadora a laser pode ajudar. É possível fazer doações em dinheiro para a compra das matérias-primas para a produção dos protetores faciais, ou mesmo doar a própria matéria-prima. “Estamos com uma campanha de financiamento coletivo para garantir que vamos atender a demanda para o estado, através do link https://apoia.se/cadaimpressaoconta . As pessoas podem doar os insumos, como os elásticos, os filamentos ou as folhas de acetato, ou dinheiro”, lembrou Caio Scheidegger, do IP.Rec. No caso da E-Nable, a doação só pode ser feita exclusivamente em matéria-prima. O material que tem sido mais difícil de ser encontrado para a produção dos protetores faciais é a folha de acetato. 


Por: DP