Paulo Guedes diz que não vão faltar recursos para a saúde nem para a economia


O presidente da Fiesp e do Ciesp, Paulo Skaf, organizou na manhã do sábado, 28/3, uma videoconferência entre o ministro da Economia, Paulo Guedes, e os membros do Conselho Superior Diálogo pelo Brasil, formado por cerca de líderes de 40 grandes grupos empresariais sediados no país.


A preocupação alegada: em minimizar os impactos da pandemia de Coronavírus na saúde e na economia.

“Não podemos poupar esforços nem recursos para isso”, disse Skaf.

Guedes assegurou a todos que o governo está empenhado nisso. “Nenhum brasileiro será deixado para trás”.


“Vamos liberar todos os recursos que a saúde necessitar e, da mesma forma, não deixaremos faltar liquidez na economia” afirmou. O ministro também descartou aumento de impostos neste momento, como sugeriram alguns deputados. “A crise que estamos vivendo é transitória. Se aumentamos impostos, quebramos as pernas das empresas, o que vai impedir a retomada da economia mais adiante.”

Skaf frisou ao ministro a importância de facilitar o acesso ao crédito.


O governo aumentou a liquidez no mercado, mas ainda assim as empresas estão com dificuldades de acessar os recursos porque os bancos estão segurando.

“O dinheiro tem que chegar nas mãos das empresas”, afirmou Skaf.

Ele pediu que a medida anunciada na sexta-feira, 27, para pequenas e médias empresas, de uma linha de crédito específica para financiar a folha de pagamento de empresas que faturam entre R$ 360 mil e R$ 10 milhões por dois meses, seja estendida às demais companhias, menores e maiores.

Neste período, o trabalhador não pode ser demitido.

O presidente da Fiesp solicitou também que as empresas que estejam no Refis sejam liberadas do pagamento nesses três meses de crise. Guedes concordou com ambos os pleitos.

O ministro disse ao grupo que um dos grandes desafios do governo é conseguir mais testes para a população.

Os empresários se dispuseram a contribuir comprando exames para testar seus funcionários e passar o excedente para o poder público.

A Vale já tomou esta iniciativa.

“Vamos comprar um milhão de testes. Cerca de 70 mil serão para os nossos colaboradores e o restante vamos doar”, disse oco-presidente do Conselho de Administração da Ambev, Victorio de Marchi.


Edgard Corona, presidente do grupo Bio Ritmo/Smart Fit, prometeu adquirir exames para seus funcionários e para a população

“Queremos inundar o Brasil de testes”, disse.


Segundo Guedes, o ministro-chefe da Casa Civil, Braga Netto, foi destacado para cuidar da logística da distribuição desses exames doados pelas empresas.

Christian Gebara, presidente da Vivo, disse que a tecnologia pode ajudar a mapear os locais com mais contaminados e com mais risco se esta informação for disponibilizada, como ocorreu em alguns países da Ásia.

Para os empresários, a realização de testes em massa seria um dos pontos importantes para viabilizar o início da retomada de algumas atividades nas cidades onde hoje só funcionam os setores essenciais.

Na avaliação deles, isso poderia ocorrer ao longo do mês de abril, de forma gradativa, responsável e tomando-se todos os cuidados necessários.

Os empresários expressaram preocupação com algumas decisões tomadas por gestores públicos que geram insegurança jurídica.


“Em Recife (PE), o governo estadual se apossou de um hospital do grupo Hapvida”, diz o comunicado da Fiesp.

Durante a reunião, Skaf contatou o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Dias Toffoli, para manifestar a inquietação.

Os empresários também reiteraram a importância de manter as cadeias produtivas operando em sua totalidade. “Do contrário, podem faltar alimentos, remédios, produtos de saúde e outros itens fundamentais para o bem-estar da população”.