Ocupação de leitos de UTI para Covid-19 cai em 16 estados


O arrefecimento da pandemia em algumas regiões do país fez com que a taxa de ocupação de leitos estaduais de UTI (Unidades de Terapia Intensiva) para o tratamento da Covid-19 caísse em 16 estados nos últimos 60 dias.


Estados que atingiram o colapso nos leitos para pacientes graves com o novo coronavírus, caso de Amazonas, Rio de Janeiro, Pernambuco e Ceará, registraram queda consistente de demanda nos últimos dois meses.

Neste período, por causa da baixa procura, foram desativados os hospitais de campanha erguidos emergencialmente em cidades como Manaus (AM), Jaboatão dos Guararapes (PE), Rio de Janeiro e São Gonçalo (RJ).

Por outro lado, estados das regiões Sul e Centro-Oeste, ainda enfrentam um cenário de dificuldade com a taxa de ocupação de leitos em rota de crescimento. Mato Grosso, Goiás, Santa Catarina e Sergipe enfrentam os piores cenários, com ocupação de leitos de UTI acima de 80%.

Um dos estados que viu o sistema de saúde colapsar em junho, o Rio Grande do Norte apresentou melhora significativa pela terceira semana seguida. Com a instalação de 20 novos leitos de UTI, a taxa de ocupação caiu de 86% para 63%.

Nesta segunda-feira (27), 60% das 76 vagas da rede estadual localizadas na capital potiguar estavam ocupadas. Há uma semana, o índice era de 84%. Nos últimos 15 dias, houve abertura de mais 10 novos leitos em Natal.

Mesmo com a abertura de 21 novas vagas de UTI para doentes com sintomas da Covid-19, Pernambuco manteve o índice de ocupação dos leitos de terapia intensiva em 75%. No dia 9 de julho, a taxa era de 69%, a menor já registrado desde o início da pandemia.

No Rio de Janeiro, onde governo e prefeitura já vêm desativando leitos para a Covid-19, a ocupação de UTIs é de 71% na rede pública da capital e de 39% na rede estadual, sem contar as vagas de retaguarda nos hospitais de campanha, que foram esvaziados.

O Ceará é outro estado que vem desativando leitos destinados a pacientes com Covid-19. Em um mês, o número de UTIs foi reduzido de 699 para 599, abrindo vagas para pacientes com outras enfermidades.

O mesmo vem acontecendo no Espírito Santo. O governo do estado começou nesta segunda a reverter perfis de leitos exclusivos para Covid para atender outras demandas. A marca de 70% de ocupação foi adotada como indicador pelo governo para a reversão.

"Somente uma nova onda de casos que possa elevar a pressão por serviços hospitalares será capaz de nos fazer rever novamente o perfil das unidades", explica o secretário estadual de Saúde, Nésio Fernandes.

Com a abertura de novas vagas para pacientes graves, estados como São Paulo e Bahia mantiveram a estabilidade da taxa de ocupação de leitos e começam a ter uma menor pressão sobre o sistema público de saúde.

Na Bahia, o índice de ocupação de leitos caiu para 71% nesta segunda-feira (27) após ter chegado em torno de 80% no início de julho, período considerado pelas autoridades locais como o pior momento da pandemia no estado.

A queda nas taxas, contudo, foi impulsionada pela abertura de novos leitos para pacientes com Covid-19 em Salvador e em cidades do interior. Apenas em Feira de Santana, segunda maior cidade do estado, foram abertos 40 novos leitos de UTI. Também houve um endurecimento de medidas restritivas, com decretos de toque de recolher noturno em 77 cidades baianas.

Na mesma linha, Minas Gerais conseguiu reduzir a taxa de ocupação, mas também mediante a ampliação os leitos. Nesta semana, o estado, que não divulga o número de leitos exclusivos para Covid-19 na rede pública, chegou a 68% de ocupação em UTI. Destes, 27% eram casos relacionados ao novo coronavírus.

Belo Horizonte voltou a ter aumento na taxa de ocupação de UTIs da rede municipal, reservados para casos de Covid-19, e chegou a 92%. Pela sétima semana consecutiva a capital seguiu com nível de alerta vermelho, no indicadores do termômetro da Covid-19 e manteve apenas comércio essencial autorizado está autorizado a abrir na capital mineira.

"A vontade da Prefeitura é que toda a cidade estivesse aberta e em funcionamento pleno. Porém, a atual situação da pandemia, de curva ascendente de casos e óbitos pela Covid-19, impede a reabertura de serviços não essenciais", disse o secretário municipal de Saúde, Jackson Machado.

Em Mato Grosso, voltou a crescer o total de pacientes internados em UTI devido à Covid-19. O índice de leitos ocupados se manteve estável, por volta de 85%, mas graças ao incremento de 12 novas vagas sob gestão estadual. Na última semana, 298 pacientes estavam internados em UTIs, ante os 304 desta semana.

Já na capital, Cuiabá, 61 dos 70 leitos sob gestão estadual estão ocupados, o que representa 87% do total. Na UTI do Hospital Estadual, a ocupação já é de 100%, com as 60 vagas ocupadas nesta segunda.

Percentualmente a ocupação só não é maior por contabilizar também os leitos pediátricos de UTI, em que havia uma criança internada no mesmo hospital, para 10 vagas disponibilizadas.

A ocupação também é alta nos hospitais sob gestão estadual em Cáceres, Rondonópolis, Sinop, Sorriso e Várzea Grande –em todas, passa de 95%.

Outro estado da região que enfrenta um cenário difícil é Goiás. Mesmo com a abertura de 49 novos leitos, o estado registrou uma ocupação de 82,9% dos leitos de terapia intensiva. Eram 153 pacientes graves na última semana, número que subiu para 193 nesta segunda.

Em Santa Catarina, a ocupação de todo o estado passou dos 80% pela primeira vez, chegando a 81,2%. A região onde a situação é mais grave é a da Foz do Rio Itajaí, onde 90,9% dos leitos de UTI estão ocupados.

Pertencem à região cidades litorâneas como Balneário Camboriú, onde empresários realizaram uma carreata para reabertura do comércio no início da pandemia, em março. No final de semana, a Guarda Municipal da cidade encerrou uma festa privada com dez pessoas – todas sem máscaras.

A prefeitura de Blumenau cancelou a tradicional festa Oktoberfest, realizada desde 1984 no mês de outubro e considerada a maior celebração da cultura de descendentes dos imigrantes alemães no continente. O Réveillon também foi cancelado.

Em Curitiba, capital que na semana passada apresentava o maior percentual de ocupação de UTIs para Covid-19, a taxa se manteve estável mesmo com o acréscimo de dez leitos. Nesta segunda-feira (27), restavam apenas 26 UTIs para adultos e uma infantil na cidade.

O ministro interino da Saúde, general Eduardo Pazuello, esteve na capital paranaense na semana passada em um roteiro de visitas pelo Sul do país, região que mais tem sofrido com os efeitos da pandemia atualmente.

Ele afirmou que atenderia pedidos de renovação de leitos e faria um repasse de medicamentos e equipamentos hospitalares para o estado, mas não deu um prazo.

O secretário estadual da Saúde, Beto Preto, alertou que o estoque de remédios para intubação estava no fim. Em todo o Paraná, a taxa de ocupação de leitos também subiu, de 72% para 74%, mesmo com a abertura de 36 novas UTIs.