Moro mostra suposta troca de mensagens que comprovariam acusações contra Bolsonaro, diz Jornal Nacio


Após o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e o agora ex-ministro da Justiça e Segurança Pública Sergio Moro travarem um embate nesta sexta-feira (24), uma reportagem do Jornal Nacional mostrou supostas trocas de mensagens que comprovariam as acusações contra Bolsonaro, feitas durante o anúncio de demissão da pasta. No pronunciamento, que durou pouco mais de 30 minutos, Moro afirmou que o chefe do Executivo havia tentado interferir na Polícia Federal e negou que teria pedido uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF).


A primeira suposta troca de mensagens mostrada teria acontecido entre Moro e o presidente da República. Na conversa, aparece supostas mensagens enviadas pelo presidente, nas quais ele cita uma reportagem do site O Antagonista, datada do dia 22 de abril de 2020 com o título "PF na cola de deputado bolsonaristas", e logo em seguida escreve: "mais um motivo para a troca", fazendo referência ao cargo de diretor-geral da Polícia Federal, até então ocupado por Maurício Valeixo, exonerado nesta sexta-feira (24). Em resposta, Moro escreve: "Este inquérito é conduzido pelo ministro Alexandre (de Moraes) no STF, diligências por ele determinadas, quebras por ele determinadas, buscas por ele determinadas, conversamos em seguida às 9h". A reportagem do site O Antagonista se refere ao inquérito aberto para apurar fake news disparadas contra o Supremo Tribunal Federal (STF), que é conduzido pelo ministro Alexandre de Moraes.

Além da acusação da interferência na PF, Moro disse que não teria pedido uma vaga no STF. No pronunciamento feito no final da tarde pelo presidente para, segundo ele, 'restabelecer a verdade sobre a demissão do Sr. Valeixo, bem como do Sr. Sérgio Moro", o presidente afirmou que o ex-juiz federal teria aceitado a troca no comando da Polícia Federal desde que acontecesse em novembro, quando Bolsonaro supostamente indicaria o ministro à vaga de ministro do STF. Minutos depois do pronunciamento, Moro utilizou o Twitter para rebater o presidente.

"A permanência do diretor-geral da PF, Maurício Valeixo, nunca foi utilizada como moeda de troca para minha nomeação para o STF. Aliás, se fosse esse o meu objetivo, teria concordado ontem (quinta-feira) com a substituição do diretor-geral da PF", escreveu.

Durante a exibição da edição desta sexta-feira, o Jornal Nacional mostrou uma suposta conversa entre Moro e a deputada federal Carla Zambelli (PSL) na qual ela teria pedido para o então ministro aceitar Alexandre Ramage, diretor-geral da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), sugere que Moro também aceite a vaga no STF. "Vá em setembro para o STF. Eu me comprometo em ajudar. A fazer o JB (Jair Bolsonaro) prometer", escreveu. Moro respondeu com: prezada, não estou a venda". Ao JN, a deputada federal disse que não irá comentar a troca de mensagens.

Bolsonaro exonera diretor da Polícia Federal, e Moro deixa ministério

Desde essa quinta-feira (23), havia rumores da exoneração do então diretor-geral da Polícia Federal, Maurício Valeixo, demitido pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido) nesta sexta-feira (24). Desde que os rumores começaram, o então ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro, demonstrou insatisfação com a demissão de Valeixo do cargo, o que levantou suspeitas de uma possível saída do ministério.

O anúncio do pedido de demissão de Moro foi feito no final da manhã desta sexta-feira, durante um pronunciamento. O ex-juiz federal disse que, ao contrário do que anunciado pelo próprio presidente, Valeixo não pediu para sair do cargo, e expôs divergências entre entre e o chefe do Executivo.

"Dialoguei muito com o presidente. Busquei postergar as decisões. Pensei que poderia ser alterado, mas percebi que seria um grande equívoco. Ontem (quinta-feira), conversei e houve insistência do presidente. Falei que seria interferência política e ele disse que seria mesmo", afirmou ao falar de interferências na PF. Momentos depois, disse que "não tenho como persistir sem condições de preservar a autonomia da Polícia Federal ou sendo forçado a concordar com interferência política".