Há dez anos, Orkut, 3D e Blu-ray eram o futuro


No mundo da tecnologia, uma década pode valer um século. Se ainda vivêssemos como em 2010, quando o Valor publicou pela primeira vez sua lista das dez tendências tecnológicas do ano, você estaria vendo filmes em Blu-ray, indo a cinemas com telas 3D, e navegando pelas redes sociais: mas não o Facebook ou o Instagram. Essencial, na época, era ter um perfil no orkut.


Quanto ao passado, as projeções de 2010 mostram que muitas tendências promissoras nunca atingiram seu potencial. Ou, simplesmente, desapareceram.

Quem se lembra do Blu-ray, por exemplo? Dez anos atrás, a expectativa era de que a Copa da África do Sul, que seria vencida pela Espanha, estimularia a compra de TVs de alta definição, dando um empurrão os aparelhos de Blu-ray, sucessores do DVD. Mas a tecnologia nunca "pegou". Foi atropelada por plataformas de streaming como o Netflix, que chegou ao Brasil em 2011.


Não se sabia, então, se o streaming superaria outro modelo comercial emegente, o download. Essa disputa era um item da lista. O streaming propunha o aluguel de conteúdo, com o pagamento de assinaturas. O download, a compra de filmes e músicas, com a transferência definitiva do conteúdo para o equipamento do consumidor, como smartphones, tablets e notebooks.

Como se vê, hoje, o streaming venceu. Em muitos casos, incorporou o download. Várias plataformas de streaming oferecem a possibilidade de o assinante transferir álbuns de música ou filmes para acessá-los quando não está conectado à internet. Mas se a assinatura for interrompida, os arquivos desaparecem.

Uma tecnologia que caminha para a irrelevância é a das telas 3D. Sob o impacto de "Avatar", que estreou em dezembro de 2009 no Brasil, parecia que o formato resgatado dos anos 60 teria uma nova chance. Mas a experiência desajeitada, que exige óculos especiais, parece ter desestimulado o público. Em 2018, a bilheteria global dos filmes 3D foi de US$ 6,7 bilhões, a menor em oito anos. Houve queda de 20% em relação a 2017. E os produtores não parecem animados em perseverar.


Os livros digitais também permanecem longe da posição de domínio que, se supunha, ocupariam rapidamente. A mais recente pesquisa sobre o segmento no país, de 2017, mostra que os e-books representavam apenas 1,09% do mercado editorial brasileiro.

Muita coisa que era novidade, deixou de ser. Em 2010, a previsão era de que a venda de notebooks se equipararia, pela primeira vez, a de computadores de mesa. Hoje, os portáteis lideram as vendas com folga: em 2018, representaram 72% dos computadores vendidos no país, em unidades.


Ter um smartphone também virou coisa comum. Ao fim do primeiro semestre de 2010, esses dispositivos representavam 2,7% do total de aparelhos vendidos no país. Era para poucos. Prevaleciam, então, os "feature phones", mais simples. Em comparação, esse quadro foi quase o inverso em 2018, com os smartphones representando 94,6% dos dispositivos vendidos.


As conexões em banda larga, mais um item, expandiram-se rapidamente. No caso da banda larga fixa, o número de conexões saltou de 20 milhões de lares brasileiros na época para 32,5 milhões em outubro do ano passado, o dado mais recente. Já a banda larga móvel, então inexpressiva no país, está no centro dos primeiros leilões de frequência 5G no Brasil, previstos para ocorrer no fim deste ano. Duas outras tendências - realidade aumentada e jogos on-line - não saíram do radar e vêm ganhando espaço nos últimos anos.

Mas nenhum caso supera o das redes sociais como emblema de um setor que vive de mudanças rápidas. Em 2010, o Orkut, do Google, era a rede dominante no Brasil. Apenas quatro anos depois, no entanto, não aguentou a concorrência do Facebook e baixou as portas. As gerações mais novas mal sabem de sua existência.