Em Pernambuco, 66% das faculdades têm desempenho mediano em indicador de qualidade do MEC


Mais da metade das instituições de ensino superior de Pernambuco teve desempenho mediano no Índice Geral de Cursos (IGC), um indicador de qualidade aferido anualmente pelo Ministério da Educação (MEC). A nota vai de um a cinco. Do universo de 87 unidades avaliadas, 58, o que representa 66,67%, registram média 3. Outras 18, ou 20,69%, alcançaram 2, considerado insuficiente pelo governo federal. A nota 4, ou 10,34%, apareceu para nove faculdades ou universidades. Nenhuma instituição do Estado ficou com o pior (1) ou o melhor (5) resultado.

Os dados foram divulgados ontem pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), órgão do MEC responsável pelas estatísticas oficiais de educação, e referem-se ao ano de 2018. Também ontem saiu o Conceito Preliminar de Curso (CPC). Nesse caso, a avaliação é feita por graduação ou curso tecnólogo (presenciais e a distância) e como o IGC, vai de um a cinco.

Pernambuco teve 296 cursos analisados. O maior grupo obteve média 3 (64,18%). Só 3,37% chegaram ao topo (5). Com nota 4 foram 18,91% e com 2, 13,17%. Apenas o curso de direito da Faculdade de Ciências Humanas e Sociais Aplicadas do Cabo de Santo Agostinho (Fachuca) tirou a pior nota, 1.

No IGC, as três universidades federais do Estado – UFPE, UFRPE e Univasf – repetiram a média de 2017. Ficaram com 4. O mesmo aconteceu com mais sete faculdades particulares (UniFBV/Wyden, Santa Helena, Uninassau Petrolina, Unibra, Ubec, Unit PE). A nota 3 saiu para a Universidade de Pernambuco (UPE) e os dois institutos federais, IFPE e IF do Sertão.

“Estamos muito satisfeitos com o resultado da UFPE. No ranking nacional, ficamos na oitava posição. Nosso foco é o aluno e a garantia do direito dele de aprender. Estamos reformulando todos as resoluções voltadas para graduações”, destaca a pró-reitora acadêmica, Magna Silva. A instituição teve 15 cursos com CPC divulgados ontem. Segundo Magna, oito mantiveram o resultado anterior, quatro melhoraram e dois caíram, além de um sem nota.


AVANÇO

Entre os que avançaram está psicologia. Passou de 3 para 4. “Nossos alunos se envolvem bastante nas pesquisas. Outro ponto positivo é a qualificação do corpo docente, através de cooperações nacionais e internacionais”, diz a professora Renata Aléssio.

“Precisamos fortalecer as atividades práticas e a integração ensino, serviço e extensão. Com a obrigatoriedade da presença do psicólogo no ensino público básico, teremos o desafio de integrar ainda mais educação e psicologia”, complementa Lucicleide Falcão, também docente do curso. Elas coordenam os estágios em psicologia da instituição.

Na UFRPE, a pró-reitora de ensino de graduação, Socorro Oliveira, destaca que a universidade implantou, mês passado, o Observatório de Dados de Graduação justamente para, a partir dos indicadores de qualidade, nortear melhor as decisões.

O pró-reitor de graduação da UPE, Ernani Martins, afirma que a instituição vem melhorando seu desempenho. “De 2014 para 2018, passamos de 2,64 para 2,81 no IGC, que arredonda para 3. É um crescimento razoável”, diz.

Um dos destaques da UPE foi o curso de direito, avaliado pela primeira vez. No câmpus de Arcoverde, no Sertão do Estado, teve nota 4. No Recife chegou ao máximo, 5.

“O projeto pedagógico do curso é muito atual e inovador. Nossos professores são bem qualificados e atuam em órgãos públicos e privados, o que nos dá uma boa visão da profissão. E a aprovação dos alunos no exame da Ordem dos Advogados do Brasil, a OAB, é 100%”, enfatiza Sandy Leite, 23 anos, que concluiu ontem o curso na capital pernambucana.

“Vamos avaliar o que aconteceu. A nota 1 não reflete a qualidade do curso. Vai de encontro ao bom índice de aprovação que temos na OAB”, afirma a coordenadora de direito da Fachuca, Cláudia Coelho.

INDICADORES DE QUALIDADE DO ENSINO SUPERIOR


IGC É o Índice Geral de Cursos. Vai de 1 a 5. É concedido às instituições de ensino. Reúne avaliação dos cursos de graduação e pós-graduação, proposta pedagógica, infraestrutura, corpo docente e desempenho dos estudantes no Enade. Foram 87 instuições pernambucanas participantes (duas ficaram sem conceito). No País, saiu o índice para 2.052 instituições

Brasil 0,3% – nota 1 12,6% – nota 2 63,6% – nota 3 21,3% – nota 4 2% – nota 5

Pernambuco 10,34% – nota 4 66,67% – nota 3 20,69% – nota 2 * Nenhuma instituição ficou com as notas 1 ou 5

Desempenho das instituições públicas do Estado Nota 4 – UFPE, UFRPE e Univasf Nota 3 – UPE, IFPE e IF do Sertão

CPC Conceito Preliminar de Cursos, calculado separadamente por graduação. A nota também vai de 1 a 5. Reúne desempenho dos alunos no Enade, valor agregado durante o curso, qualificação do corpo docente e percepção do estudante sobre seu processo formativo. Em 2018 foram avaliados 27 cursos entre graduações e tecnológos. Do Estado, 296 cursos tiveram nota


Brasil 0,4% – nota 1 9,5% – nota 2 56,6% – nota 3 31,7% – nota 4 1,7% – nota 5

Pernambuco 3,37% – nota 5 18,91% – nota 4 64,18% – nota 3 13,17% – nota 2 0,33% – nota 1