'Deus é Mulher': Filme pernambucano vai a Cannes em busca de parcerias

Considerado um dos mais importantes eventos do cinema mundial, o Festival de Cannes vai muito além de uma janela para exibição de obras inéditas. O circuito também é um palco para encontro de coprodutores e distribuidores de filmes que ainda estão em processo de finalização. Esse é o caso do documentário Deus é Mulher, da pernambucana Bárbara Cunha, que apresentou seu projeto presencialmente para possíveis financiadores neste domingo (11) na seleção do Docs in Progress.



Esse programa de mostruário faz parte do Cannes Docs, vertente do festival especializada no ramo documental. Ainda que não finalizado, o projeto passou por uma curadoria para ser selecionado - o que já é muito significativo. “Os filmes que estão aqui, mesmo buscando investimento, têm esse selo de Cannes de uma curadoria de qualidade. Eles ficam expostos num palco muito especial, porque a indústria do mundo inteiro está de olho no que está acontecendo em Cannes. É uma honra e um privilégio ter o mundo olhando para o seu trabalho”, conta.

O longa acompanha alguns anos na vida de Alexya Salvador, a primeira Reverenda trans da América Latina, e sua alternância entre os papéis de mulher, mãe, pastora e professora. A produção do documentário começou em 2018, mas a diretora já acompanhava a história de Alexya desde um ano antes quando a conheceu ao filmar a série documental sobre identidade de gênero na infância, Borboletas e Sereias, da qual uma das filhas de Alexya iria participar. A pastora foi, inclusive, a primeira trans a adotar no Brasil.

A luta para democratizar o direito à fé entre comunidades excluídas foi o que mais interessou Bárbara, que teve a oportunidade de acompanhar com sua equipe o momento em que Alexya foi ordenada reverenda pela Igreja da Comunidade Metropolitana em 2020. “Alexya é uma mulher trans, negra e indígena. Ela abre um leque de possibilidades para uma população que é notoriamente excluída, não apenas desse espaço religioso. Ela mostra que esses corpos dissidentes também podem ocupar os lugares, inclusive no clero de uma Igreja”, afirma a diretora.

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