Desemprego aumenta em Pernambuco e outros 11 estados no primeiro trimestre de 2020


A taxa de desemprego aumentou em Pernambuco e em outros 11 estados no primeiro trimestre de 2020 (janeiro, fevereiro e março), período em que o Brasil começou a sentir os efeitos da pandemia do novo coronavírus, e se manteve estável nos demais, na comparação com o último trimestre de 2019. 

O Brasil terminou o primeiro trimestre com 1,218 milhão de pessoas a mais entre os desempregados. Com o avanço, a taxa de desocupação avançou para 12,2%.

No final de 2019, a população desocupada era de 11,62 milhões. No primeiro trimestre de 2020, passou para 12,850 milhões, uma alta de 10,5%. Os dados são da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua), divulgada nesta sexta-feira (15) pelo IBGE.

Em Pernambuco, a taxa de desocupação ficou em 14,5% no primeiro trimestre de 2020, um aumento de 0,5% em relação ao último trimestre de 2019.

Em relação ao primeiro trimestre de 2019, a taxa de desemprego caiu 1,6% em Pernambuco.

As maiores taxas foram observadas na Bahia (18,7%), Amapá (17,2%), Alagoas e Roraima (16,5%), enquanto as menores em Santa Catarina (5,7%), Mato Grosso do Sul (7,6%) e Paraná (7,9%).

As maiores altas no desemprego foram no Maranhão (3,9%), Alagoas (2,9%) e Rio Grande do Norte (2,7%).

Em 15 estados, o desemprego superou a média nacional, de 12,2%.

Desigualdade

O IBGE aponta também que as desigualdades permaneceram acentuadas em diversos segmentos da sociedade no primeiro trimestre do ano.

Entre as pessoas que se declararam pretas e pardas, o desemprego avançou, de 13,5% e 12,6%, no quarto trimestre, para, respectivamente, 15,2% e 14%, enquanto o das brancas subiu de 8,7% para 9,8%. A taxa de desocupação foi estimada em 10,4% para os homens e 14,5% para as mulheres.

Entre os jovens de 18 a 24 anos de idade, o desemprego passou de 23,8%, no último trimestre de 2019, para 27,1%.

No Nordeste, o desemprego para essa faixa etária chegou a 34,1%. De acordo com a analista da pesquisa, Adriana Beringuy, é esperado haver no primeiro trimestre um aumento da desocupação, devido às dispensas dos trabalhadores temporários contratados no final do ano.

“A maior parte dos temporários dispensados no início do ano são jovens, o que faz com que a queda no nível de ocupação seja maior nesta faixa”, explica Adriana.

Em relação ao tempo de procura por emprego, a pesquisa mostra que 45,5% dos desocupados estavam de um mês a um ano em busca de trabalho; 23,9%, há dois anos ou mais; 12,6%, de um ano a menos de dois anos; e 18%, há menos de um mês. No país, 3,1 milhões de pessoas procuram trabalho há 2 anos ou mais.

Informalidade é maior no Pará e no Maranhão

A taxa de informalidade passou de 41% para 39,9% no país e, entre as unidades da federação, as maiores taxas foram registradas no Pará (61,4%) e Maranhão (61,2%) e as menores em Santa Catarina (26,6%) e Distrito Federal (29,8%).


Embora a taxa de informalidade tenha se mantido estável em 18 estados, ela ficou acima da taxa média nacional (39,9%) nesses locais, variando de 41,2%, em Goiás, até 61,4% no Pará. Em 11 desses 18 estados, a informalidade ultrapassou 50% e apenas Distrito Federal (29,6%) e Santa Catarina (27,3%) tiveram taxas de informalidade abaixo de 30%.

“A informalidade teve queda porque houve uma redução das duas populações que a compõem – empregados sem carteira do setor privado e trabalhadores por conta própria – devido às dispensas dos contratados no quarto trimestre. Isso significa que os trabalhadores sem carteira e os que trabalham por conta própria não estão sendo absorvidos pelo mercado formal”, diz Adriana Beringuy, analista da pesquisa.

Subutilização avança em dez estados

A PNAD Contínua aponta ainda que a taxa composta da subutilização da força de trabalho (percentual de pessoas desocupadas, subocupadas por insuficiência de horas trabalhadas e na força de trabalho potencial em relação a força de trabalho ampliada) que em nível Brasil atingiu 24,4%, subiu em dez estados, mantendo-se estável nos demais 17.

O Nordeste foi a região com as maiores medidas de subutilização da força de trabalho e, na Região Sul, as menores. Entre os estados, as maiores taxas foram no Piauí (45%), Maranhão (41,9%), Bahia (39,9%), Rio Grande do Norte (36,5%), Sergipe (35,9%) e Paraíba (35,1%). Santa Catarina (10,0%), Mato Grosso (14,8%) e Rio Grande do Sul (15,9%), tiveram as menores taxas.

O número de desalentados foi de 4,8 milhões de pessoas, com destaque para a Bahia (774 mil), que respondia por 16,3% do contingente nacional. O percentual de pessoas desalentadas (em relação à população na força de trabalho ou desalentada) no primeiro trimestre de 2019 foi de 4,3%, crescendo 0,2% na comparação com o quarto trimestre de 2019 e estável em relação ao primeiro trimestre de 2019. Maranhão (17,8%) e Alagoas (15,5%) tinham os maiores percentuais e Santa Catarina (0,8%) e Rio de Janeiro (1,2%), os menores.

As unidades da federação com os maiores percentuais de trabalhadores por conta própria foram Amapá (39,5%), Pará (35,2%) e Amazonas (34,3%) – todos acima da média nacional de 26,2% – os menores estavam no Distrito Federal (19,3%), São Paulo (21,9%) e Santa Catarina (22,9%).