Com a chegada do inverno, Fiocruz alerta sobre chance de piora da pandemia

Pesquisadores da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) alertaram, nesta quinta-feira (17), para a tendência de agravamento da pandemia de Covid-19 no Brasil, nas próximas semanas, por conta do inverno. As análises do Boletim do Observatório Covid-19 Fiocruz mostram que a taxa de ocupação de leitos de UTI para adultos no Sistema Único de Saúde (SUS) ainda é preocupante.


Segundo o Boletim, em 18 estados e no Distrito Federal, a taxa de ocupação dos leitos é de pelo menos 80%. Em oito desses estados, a taxa está igual ou superior a 90%. Já nas capitais, 16 delas estão com pelo menos 80% dos leitos ocupados e, desse total, nove estão iguais ou superiores a 90%.

“Possivelmente, o cenário atual de rejuvenescimento prosseguirá e poderá perpetuar um cenário obscuro de óbitos altos até que este grupo etário esteja devidamente coberto pela vacina. O padrão de transmissão do Sars-CoV-2 no país ainda é extremamente crítico”, afirmam os pesquisadores.

De acordo com a Fiocruz, é essencial reforçar a necessidade do uso de máscaras e do distanciamento social. “Somente desta forma haverá como conter a disseminação do vírus, enquanto o país não consegue avançar na cobertura vacinal adequada nas faixas etárias mais jovens”, acrescentam.

Além disso, foi observado que, até 12 de junho, as tendências para as taxas de ocorrência de Síndromes Respiratórias Agudas Graves (SRAG) no país aumentaram em quatro unidades da federação, 20 estados estão com a taxa de incidência superior a 10 casos por 100 mil habitantes e, em três deles, a média móvel foi de 20 casos por 100 mil habitantes.

Esses dados são considerados extremamente altos.


Segundo os especialistas, em semanas anteriores foi possível notar um deslocamento da curva em direção aos mais jovens. Atualmente, a curva de casos está se estreitando, e a de óbitos está se alargando. Isso sugere que o Brasil pode estar entrando na fase de “compressão da morbimortalidade”.

Os pesquisadores ainda afirmaram que o termo ‘onda’ é controverso, pois parte do pressuposto que o país já passou por fases claramente distintas de ocorrência de casos e óbitos.


“Semana após semana, cria-se a expectativa de que podemos iniciar a temida terceira onda, abandonando a ideia de que ainda temos um quadro crítico, como se tivéssemos, para entrar na terceira onda, saído da segunda”, alertam os especialistas.

Para alguns epidemiologistas e infectologistas, o Brasil está próximo de entrar na terceira onda de contaminação e mortes pelo novo coronavírus.

Eles informam que nos primeiros meses de 2021, o país registrou mais de 200 mil mortes, sendo que em todo o ano de 2020, 194.949 vidas foram perdidas.

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