• Zilma Leite

Casal de Caruaru adota quatro irmãos que moravam em abrigo de Palmares: 'Eles nos adotaram como pais


"O sentimento que a gente tem é de muito amor, nós adotamos eles como filhos e eles nos adotaram como pais. Foi um amor à primeira vista com os quatro. A gente acha muito importante essa questão de manter os laços deles, que são muito fortes, e manter eles realmente unidos, juntos". Foi com essas palavras que a agente comunitária de saúde Janaína Barbosa, de 27 anos, justificou ter adotado com o marido, o autônomo Ismael do Nascimento, de 28, quatro irmãos que viviam em um abrigo de Palmares, na Mata Sul de Pernambuco.

O casal mora em Caruaru, no Agreste do estado, e estava inscrito no Sistema Nacional de Adoção (SNA). O primeiro contato de Janaína e Ismael com as crianças foi por meio de uma rede social, quando eles viram a foto dos irmãos no perfil da Comissão Estadual Judiciária de Adoção (Ceja/PE) do Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE).



"Quando vimos a foto das crianças foi como se já tivéssemos a certeza de que eles eram nossos filhos. Então decidimos enviar um e-mail para a Ceja e dizer que estávamos inscritos no Sistema Nacional de Adoção", relembrou Janaína Barbosa. A sentença da adoção foi proferida no dia 31 de janeiro de 2020. Desde então, Patrícia, Caroline, Djailton e Djair, de 4, 6, 8 e 9 anos, respectivamente, se tornaram legalmente filhos de Janaína e Ismael.


"Nossa vida melhorou quando essas quatro crianças chegaram, porque nós queríamos adotar um, mas quando fomos conhecendo, vimos eles através das fotos, nós nos apaixonamos pelos quatro. Nós louvamos a Deus por ter uma família tão grande e tão linda", pontuou o pai.

Para Janaína, ser mãe "é amar incondicionalmente. É querer proteger e cuidar. É saber que existe alguém que depende de nós e que estamos ali para educar e aprender com eles. É como se os filhos nos completassem".


Primeiro encontro com os filhos

O primeiro encontro com as crianças aconteceu na instituição de acolhimento de Palmares, onde os irmãos moravam, junto à assistente social da Vara Regional da Infância e Juventude da 6ª Circunscrição.

Janaína recordou o que sentiu e como as crianças reagiram ao conhecer ela e o marido: "Senti um misto de emoções. Felicidade, medo, até porque tudo que é novo e traz mudanças, provoca um pouco de medo e nos faz refletir. Estávamos muito ansiosos com esse encontro".

A agente de saúde revelou que, no primeiro instante, as crianças estavam tímidas. "Aquele momento também era novo para elas, e também carregavam o trauma de uma devolução. Mas logo depois começaram a interagir com a gente. Procuramos brincar e conversar, o que facilitou a aproximação. Tivemos alguns encontros e a cada encontro tínhamos mais certeza desta adoção", contou.


Decisão de adotar

A decisão de Janaína e Ismael de se tornarem pais por meio da adoção foi tomada em 2017. Janaína tentou ter um filho biológico por quatro anos com a ajuda de tratamento médico, mas não conseguiu. "Após esse período, passamos cerca de um ano amadurecendo a ideia de sermos pais através da adoção e começamos a pesquisar sobre o assunto e a conversar com algumas pessoas que tinham sido pais dessa forma", revelou.

Em maio de 2018, o casal decidiu ir à Vara da Infância e Juventude e em junho do mesmo ano entregou a documentação para a habilitação como adotantes. A habilitação foi deferida em fevereiro de 2019 e o casal inscrito no SNA, do Conselho Nacional de Justiça (CNJ).


A certeza da adoção, a motivação e a maturidade emocional para se tornarem pais foram pontos observados pelo juiz Flavio Krok, titular da Vara Regional da Infância e Juventude da 6ª Circunscrição. "Todos os relatórios produzidos no curso do processo foram positivos, assim como as informações repassadas pela equipe técnica durante o acompanhamento do estágio de convivência. A nossa percepção inicial quanto à maturidade e à estabilidade emocional do casal foi confirmada", disse.

Para o juiz, a avaliação em torno da família foi positiva, devido à "relação baseada no amor, na dedicação e no respeito à história de vida". Flavio Krok lembrou do dia em que a sentença da adoção foi proferida. "Ao final da sentença, as crianças e os pais cantaram, juntos, uma música religiosa, o que emocionou a todos", finalizou.




Por: G1/ Caruaru