Bolsonaro diz que exigirá de Teich protocolo com cloroquina


O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) afirmou nesta quinta-feira (14) que exigirá que o ministro da Saúde, Nelson Teich, altere o protocolo em relação ao uso da cloroquina. A fala foi dita durante uma reunião por meio de videoconferência com empresários. 



Bastante alterado, o chefe do Executivo disparou: “Estou exigindo a questão da cloroquina agora também. Se o Conselho Federal de Medicina decidiu que pode usar cloroquina desde os primeiros sintomas, por que o governo federal via ministro da Saúde vai dizer que é só em caso grave?”, questionou.

Bolsonaro disse então que foi eleito presidente justamente para fazer escolhas. “Eu sou comandante, sou presidente da República, para decidir, para chegar para qualquer ministro e falar o que está acontecendo. E a regra é essa, o norte é esse. Não estou extirpando nenhum ministro, nunca fiz isso e nem interferindo em qualquer ministério, como nunca fiz. Agora, votaram em mim para eu decidir. E essa decisão da cloroquina passa por mim. E mais do que pedir... Tá tudo tudo bem com o ministro da Saúde, tá tudo sem problema nenhum com ele, acredito no trabalho ele, mas essa questão vamos resolver”. “Pode mudar e vamos mudar”, completou.

O impasse se assemelha ao que havia entre o presidente e o ex-ministro da pasta, Luiz Henrique Mandetta. Teich também tem defendido que o medicamento não tem eficiência comprovada e causa profundos danos colaterais.

No último dia 12, ele foi enfático nas redes sociais: “Um alerta importante: a cloroquina é um medicamento com efeitos colaterais. Então, qualquer prescrição deve ser feita com base em avaliação médica. O paciente deve entender os riscos e assinar o “Termo de Consentimento” antes de iniciar o uso da cloroquina”.

 Bolsonaro, por sua vez, insiste no uso da medicação desde o surgimento dos primeiros sintomas e tem feito de tudo o que está ao seu alcance para mudar as regras de isolamento. Com isso, a desmoralização de Teich é cada vez mais explícita. No começo da semana, por exemplo, o presidente adicionou na lista de serviços considerados essenciais salões de beleza, academias e barbearias. No entanto, a medida pegou Teich de surpresa. Ele não foi consultado sobre o assunto e ficou sabendo sobre durante uma coletiva.

Ontem, na saída do Palácio da Alvorada, enviou um recado direto a Teich e disse que a reunião teria o intuito de alinhar as orientações.  “A gente está preocupado com o elevado número de mortes e analisando o protocolo do Ministério da Saúde [que] manda aplicar a cloroquina apenas em casos graves. Então, vou conversar hoje com o ministro da Saúde. Não é o meu entendimento, que eu não sou médico. É o entendimento de muitos médicos do Brasil e outras entidades de outros países entendem que a cloroquina pode e deve ser usada desde o início, apesar de saberem que não tem uma confirmação científica da sua eficácia. Mas, como estamos numa emergência, e a cloroquina sempre foi usada, desde 1955, e agora com a azitromicina, pode ser um alento para esta quantidade enorme de óbitos que estamos tendo no Brasil. Isso vai ser discutido hoje [ontem] com ministros”.

 O presidente continuou: “O meu entendimento, ouvindo médicos,  é que ela deve ser utilizada desde o início por parte daqueles que integram grupo de risco. Pessoas que têm comorbidade, pessoas de idade, deve ser usada a hidroxicloroquina. Se fosse a minha mãe... Minha mãe está com 93 anos de idade. Eu vou atrás dela, pego um médico, lógico que não  vou forçar o médico, tem muitos médicos que concordam com este tipo de medicamento, e ela usaria a hidroxicloroquina. Enquanto não tivermos algo comprovado no mundo, temos este no Brasil aqui, que pode dar certo, pode não dar  certo. Mas como a pessoa não  pode esperar quatro,  cinco dias para decidir, que a morte pode vir,  é melhor usar.”

Questionado se havia ficado contrariado com os tuítes do ministro Teich, que defende a linha contrária em relação ao medicamento, Bolsonaro apontou que ‘todos os ministros devem estar afinados com ele’.

“Olha só, olha só... Todos os ministros --já sei qual é a tua pergunta, o que você quer dizer-- têm que estar afinado comigo. Todos os ministros são indicações políticas minhas, tá certo? E quando eu converso com os ministros, eu quero eficácia na ponta da linha. Nesse caso, não é gostar ou não do ministro Teich, tá? É o que está acontecendo. Nós estamos tendo aí centenas de mortes por dia. Se existe uma possibilidade de diminuir esse número com a cloroquina, por que não usá-la? Alguns falam que pode ser placebo. Eu falo: pode ser. A gente não sabe. Mas pode não ser também. A gente não pode daqui a dois anos falar "ah, se tivesse usado a cloroquina lá atrás, teríamos salvo milhares de pessoas". Só isso”, disse. Bolsonaro também foi perguntado se faltava alinhamento do ministro em relação ao governo, por exemplo, em relação ao isolamento vertical, o qual o presidente é contrário. “Isso vai ser tratado... No meu entender, desde o começo devia ser o vertical. Cuidar das pessoas do grupo de risco e botar o povo pra trabalhar. Olha só. Tem uma máxima do Napoleão dizendo mais ou menos o seguinte: "enquanto o inimigo estiver fazendo um movimento errado, deixe-o à vontade". No Brasil, no meu entender, o movimento errado é se preocupar apenas e tão somente com a questão do vírus. Tem o desemprego do lado. A esquerda tá quietinha. A esquerda tá quietinha. O povo precisa trabalhar”. “O povo tem que voltar a trabalhar!Quem não quiser trabalhar, que fique em casa, porra! Fica em casa, ponto final”.


Por: Diario de Pernambuco