Avanço da covid-19 no Agreste e Sertão pode provocar busca por leitos no Recife


Com o avanço da pandemia dacovid-19no Agreste e no Sertão, pesquisadores temem que o aumento de caso nessas regiões voltem a pressionar o sistema de saúde em Pernambuco. Como há menos leitos e menos respiradores no interior, especialistas prevêem uma dinâmica em que pacientes dessas regiões podem buscar hospitalização no Recife. Nesta segunda-feira (22), pesquisadores da Fundação Joaquim Nabuco (Fundaj) e do Lika-UFPE apontavam que o Estado tem apenas uma cidade onde não há confirmação de casos do novo coronavírus.


Hoje, na capital pernambucana, há 971 leitos municipais (que são administrados pela Prefeitura do Recife) em funcionamento, sendo 289 de UTI e 682 de enfermaria. Além desses, ainda há os leitos gerenciados pelo Estado.


“Pelo que a gente tem acompanhado, o vírus está disseminado pelo Sertão e pelo Agreste. A doença entrou claramente pelo Sertão. Na Região Metropolitana, onde nós fizemos aquele período de quarentena rígida, nós estamos vivendo o crédito da abertura de leitos pelo governo. Isso evitou o colapso do sistema. As pessoas não estão morrendo por falta de respirador. Como o número de leitos está muito grande, nós temos uma certa estabilidade. Mas, no interior, muitos desses municípios não têm leito. Então, o que acontecer lá dentro, vai escoar para cá”, afirma Jones Albuquerque, pesquisador do Lika.

Em 12 de abril, um mês após o registro do primeiro caso em Pernambuco, a doença havia atingido 54 municípios. Esse número saltou para 156 no dia 12 de maio já tinha pelo menos um caso em 183 cidades.