Aumenta número de jovens brasileiros que nem trabalha nem estuda, a geração nem-nem

Um quarto dos jovens brasileiros entre 15 e 29 anos, nem estuda, nem trabalha. E a situação ficou ainda pior com a pandemia. Esse é, sem dúvida, um dado impactante e preocupante, divulgado por uma pesquisa recente da FGV. A geração nem-nem não é exatamente nova; composta por jovens que largaram os estudos, mas também não entraram no mercado de trabalho, eles preocupam e mostram a triste realidade da geração que é o futuro do Brasil.



A Pesquisa Juventudes, Educação e Trabalho: Impactos da Pandemia nos Nem-Nem, realizada pela FGV Social e divulgada em maio, mostra uma alta na vulnerabilidade dos jovens brasileiros e os impactos que podem durar para sempre na vida deles e na evolução da sociedade. Antes da pandemia, no último trimestre de 2019, a pesquisa mostrou um percentual de 23,66% dos jovens na geração nem-nem; mas esse percentual chegou a 29,33% no segundo trimestre de 2020, auge da pandemia e do desemprego no país. Para se ter ideia da gravidade da situação, o desemprego entre os jovens brasileiros de 15 a 29 anos, subiu de 49,37% para 56,34% em um ano. E, colocando uma lupa na pesquisa da FGV Social, um dado agravante nos atinge ainda mais; a região com maior concentração de nem-nem foi a Nordeste – 32% dos nossos jovens nem trabalha, nem estuda. E para piorar, Pernambuco, junto a Paraíba, Alagoas, Maranhão, Sergipe e Acre, está no topo da lista.


Como era de se esperar, o aumento da geração nem-nem, atinge, principalmente, as mulheres, os negros, os moradores de periferia e os jovens sem-instrução, que são aqueles que não conseguiram aproveitar ou não tiveram acesso a uma educação de qualidade. Entre eles, o número é ainda mais preocupante; de acordo com a Pesquisa da FGV Social, 66,81% nem trabalha, nem estuda. Esse grupo de pessoas, que em sua maioria, teve acesso restrito a uma boa escola, a uma alimentação adequada ou a uma estrutura familiar saudável, não conseguem emprego e, por isso, não têm condições de financiar os estudos em uma faculdade particular. Para eles, sem conhecimento e sem oportunidades, resta o subemprego e as constantes tentativas de encontrar um emprego melhor.


O cenário é desolador e a qualidade da educação no país não ajuda. Durante a pandemia, os jovens ficaram sem aulas e a cobrança diminuiu. Sem incentivo e sem nada para fazer em casa, a evasão escolar, surpreendentemente, diminuiu, o que podia ser um dado positivo. No último trimestre de 2019, a evasão escolar atingiu 62,2% dos jovens, enquanto, no final de 2020, essa taxa caiu para 57,95%. Mas, infelizmente, isso não se traduz em mais jovens estudando e se desenvolvendo. Com mais jovens matriculados, o governo deveria ter incentivado a inclusão digital e os conteúdos remotos. Mas, na prática, o que se viu nos longos meses de quarentena foram jovens matriculados, mas longe das salas de aula. E uma coisa é certa, sem educação e com o mercado cada vez mais competitivo, a geração nem-nem só tende a aumentar.


A vulnerabilidade dos jovens brasileiros, especialmente, em tempos de crise, é gigante. Além da falta de estudo, a iniciativa privada ainda tem dificuldades de dar oportunidade a quem está começando. Exigir experiência a um jovem de 18, 20 anos é criar uma barreira e levá-lo ao subemprego. Já o governo tem o papel de incentivar as empresas a darem oportunidades a quem está começando, seja no viés tributário ou trabalhista. Outro fator que precisa ser olhado é o da dupla jornada. Os jovens brasileiros trabalham de dia e estudam a noite. O resultado disso é uma performance ruim em ambos. Conciliar as duas coisas é possível, mas tem que haver um esforço que muitos não conseguem. Uma alternativa pode ser uma menor jornada de trabalho, priorizando a educação. Com o número da geração nem-nem crescendo e mais jovens sem nenhuma perspectiva de vida, as consequências são sabidas: revolta, aumento da criminalidade e uma sociedade sem horizonte positivo. Ou o poder público, as empresas e a sociedade se mobilizam para diminuir essa desigualdade, ou nosso futuro estará ainda mais comprometido.


Por: JC Online

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