Araripina e Ouricuri, no Sertão de Pernambuco, preparadas para lockdown de dez dias


A partir desta sexta-feira (7) os municípios de Araripina e Ouricuri, que integram a 4ª Macrorregião de Pernambuco, no Sertão do Araripe, entrarão em dez dias de lockdown. Até o dia 16 de agosto, só estão autorizados a funcionar os serviços considerados essenciais, como, por exemplo, mercados, padarias e farmácias. A decisão do governo do Estado em decretar medidas mais rígidas nessas duas cidades foi tomada após um aumento no número de casos da covid-19. Para os prefeitos dos dois municípios, a medida foi necessária para conter o avanço do novo coronavírus.


Segundo a Prefeitura de Ouricuri, até essa quarta-feira (6), o município registrou 270 casos da doença e 8 óbitos. Para o prefeito Ricardo Ramos (PSDB) o período de medidas mais rígidas fará com que diminua o fluxo de pessoas que chegam de outros municípios. Em Ouricuri foram instaladas, desde a semana passada, barreiras sanitárias nas quatro saídas da cidade. “Nosso maior problema é que nossa cidade é central. Então nós temos um grande fluxo de pessoas moradoras de cidades vizinhas circulando por aqui. Essas pessoas vêm procurar a saúde privada, vêm procurar a saúde pública, vêm fazer compras”, comentou. Equipes da prefeitura se revezam pela manhã e à tarde para realizar o controle de saída e entrada de pessoas nas barreiras.

Na avaliação do chefe do Executivo municipal, o lockdown em Ouricuri e em Araripina foi decretado no período certo. “A onda veio chegar aqui agora. O lockdown que aconteceu no Recife não tinha a necessidade de acontecer aqui no início. Nesse período, nós conseguimos achatar a curva”, disse.


Ramos afirmou ainda que, no período de isolamento mais rígido, haverá uma intensificação da campanha de prevenção, com distribuição de máscaras e álcool em gel, higienização dos locais públicos e panfletagem nas ruas. A fiscalização do cumprimento das medidas ficará a cargo da Polícia Militar.

Francisco Antônio, funcionário de uma pizzaria localizada no centro de Ouricuri, afirmou que espera um movimento mais baixo durante o lockdown, mas que um isolamento mais rígido é necessário. O estabelecimento só está funcionando com delivery e opção de retirada, mas a partir desta sexta funcionará somente com entregas. “As ruas estão cheias de gente. Hoje os bombeiros já passaram alertando as pessoas sobre os riscos”, comentou.

Já em Araripina, não haverá a instalação de barreiras sanitárias, mas, desde a semana passada, a cidade adotou o toque de recolher que vai das 21h às 6h. “Já está havendo fiscalização. Várias equipes estão fazendo as fiscalizações nos estabelecimentos comerciais. Também há um toque de recolher e já havíamos proibido a comercialização de bebidas alcoólicas.



Então, agora com essa medida decretada pelo governo nós esperamos que haja um aumento do efetivo policial para coibir os abusos que parcela da população vem cometendo”, disse o prefeito Raimundo Pimentel (PSL).

Atualmente, há 17 leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) ocupados em Araripina. O total disponível é de 20. Já na enfermaria, 27 dos 60 estão com pacientes. Todos os leitos disponíveis para pacientes com suspeita e com a covid-19 ficam localizados no Hospital Santa Maria.

O prefeito afirmou também que há uma grande expectativa para que a população cumpra o isolamento. “Nossa expectativa é que a população cumpra o isolamento social, até porque os números estão aumentando. Nós já tínhamos a expectativa que esse seria o período mais difícil que nós íamos enfrentar, e que a população tem que estar preocupada. Nós temos uma expectativa positiva para que a população cumpra a determinação do governo”, relatou.


O resultado também é esperado pelos moradores. Residente de Araripina desde que nasceu, o advogado Henio Carvalho, 34, contou que vem cumprindo as determinações de isolamento e distanciamento social e que espera uma fiscalização efetiva nesse período. "Se essa medida vir acompanhada de uma fiscalização efetiva, possivelmente eu acredito num resultado positivo no que diz respeito a diminuição da disseminação do vírus. Eu acho que tudo vai depender da fiscalização", contou.

Para o prefeito de Afogados da Ingazeira e presidente da Associação Municipalista de Pernambuco (Amupe), José Patriota, as medidas mais rígidas "são necessárias" e que os resultados mais na frente "serão positivos".


Por: JC Online